quinta-feira, 16 de abril de 2015
Violeta
Era quase azul. Os olhos claros fugiam do rosto instintivamente. Da boca escorriam monossílabas de mimo infantil.
Era bucólica, quase inexistente. Se lhe rogassem um não, as sobrancelhas ruivas relaxavam na testa em segundos. Os seios contraíam, suspiravam, se perpendiculavam furiosos.
Era uma criança? Às negações. Mas, ah, os olhos não mentem. A pureza da pele e da manha contrastava com o cabelo ruivo. O labor da garota persuadia o demônio nas segundas e quartas. Na íris de cheramy fumegavam todas as sementes da Babilônia; pingava dela as gotas de Adamastor, maldição truncada de uma resistência e impulsividade de algo maior. Caixa de Pandora.
Era Vênus? Se se incitavam os lábios café com leite faziam renascer Madalena em carne viva. O sangue das madeixas escorriam pelos ombros nus, e os riscos ruivos da testa, agora, levantavam, desalinhavam, pediam.
Era a personificação do contraste da idade abstrata. Vermelha e anil.
Era grande. A mulher dos sonhos freudianos, a musa do inconsciente proibido.
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