segunda-feira, 24 de março de 2014

Imensa

              
Sonha, pequena, pelos ruídos do amor a rosa
Tão rosa fúnebre que cala os dedos à noite
Tão tonta, turva, inebriada, caminha sem rumo
Tão minha, tua, vossa, de ninguém a pequena.
Derrama nos lençóis a carícia do mal-me-quer,
esse mal-me-quer que a afaga e esfaqueia.
Pobre pequena que gira, gira, gira, buscando...
Busca o rumo do carinho nos perfumes fortes, 
perfumes das noites que passeia nos quartos
Número 22, 34, 13... Amanhã já não se sabe.

Pobre pequena que arranha no arranha-céu as unhas do pé
Pobre pequena que voa agora, bem devagarinho, despida.
"Que bela pequena!" sonham os pássaros
e voa como eles, tácita. 
Um dia há de cair!... se cair.
Se cai, verga ao asfalto o beijo do amor. 
Prova agora o deleite do eterno. Infinitamente.
Vai pequena vossa, sonha agora.  

Nenhum comentário:

Postar um comentário