segunda-feira, 31 de março de 2014

Inércia



Há dias não se embebedava com palavras escritas; há horas limitava-se às palavras poucas da fala, por pura necessidade humana. Em dias quentes, oposto ao que era de seu costume, cobria-se com o lençol da angústia, sem ao menos conjecturar sobre o motivo das gotículas que lhe rolavam rosto abaixo. Antes, nestes mesmos dias quentes e melancólicos, debruçava-se em umas folhas de papel, suas queridas confidentes - como dizia Freud, "se a boca se cala, falam as pontas dos dedos" - que lhe acalmavam lentamente. No entanto, hoje, não mais exercita os punhos. O motivo? não se sabe. Sua quietação provocou um pseudoconforto, mas que, intrínsecamente, lhe arranham as entranhas. 

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